quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Vigésimo segundo dia ou "A crise"

Cada dia estão mais evidentes os diferentes corpos, os distintos pensamentos, as diversas formas de enxergar o mundo. Hoje, exaustos, bloqueamos. O trabalho intenso e árduo de levantar materiais, encontrar caminhos que se cruzem, afinar ideias, respeitar e ponderar as opiniões nos levou a um momento de parada, reflexão e discussão. Precisamos respirar para seguir. Trabalhamos pela manhã realizando as frases de movimento e experimentando o roteiro que organizamos ontem. Depois discutimos sobre qual a ideia de cada um para "Post-it body", título que escolhemos para o trabalho, tendo como base os materiais levantados e os vídeos que assistimos diariamente do que temos produzido. Das respostas produzidas, identificamos:

- Para mim é o não lugar. Busca constante por um lugar, não físico, mas próprio, em si mesmo. Sensação de incompletude.

- Para Fernando: equilíbrio, desequilíbrio. Diversidade de pessoas visíveis e invisíveis dos centros urbanos. Corpos instáveis.

Sugestão de criar uma instalação como se fosse um espaço por onde uma pessoa passou. Fernando sugere a princípio com objetos e Cecília sugere tentar estabelecer isso com um estado físico, talvez.

- No livro Post-it, o boxe está como tática de guerra. O lugar de trocar roupa está na queda do Muro de Berlim, com vários policiais assistindo a esse ato (espectador nos assiste).

Transitorialidade – passagem

Ocasionalidade

Cada espaço está sendo constantemente modificado.

Ideias dos animais – se comunicam no mesmo idioma, passam de um lugar a outro, sem preocuparem-se com fronteiras e sem precisar de documentos.

Para Ceci: identificação de espaços ocasionais.
Para produção de material propõe análise ativa: ler fazendo, descobrindo. Ver o que é e o que pode vir a ser. Comenta sobre Jogo do Fiadeiro: a primeira fala, a terceira reforça, a terceira confirma.

No período da tarde fomos à praia de Lagos para refrescar os pensamentos. Foi um momento relaxante e importante para nos percebermos de outros modos, nesses espaços ocasionais.

Vigésimo primeiro dia

Ceci conduzindo frases de movimento.

Experimentações:

- Manipulação com pessoa que recebe mais ativa

- "Espanhola", sendo que enquanto eu faço, vou gritando pra mim mesma: venga guapa, vamos, muy bien! Terminar com a entrada de uma música.

- Início: ideia de criar quatro pontos distintos, talvez com diferentes sofás e/ou cadeiras (o meu uma poltrona inflável) e luzes distintas (uma lanterna, um lustre de pé, etc). Mas deixarmos uma vazia. Diferentes camadas sociais e tentativa de adequar-se a elas (com a mesma combinação de movimentos).
Depois formar uma espécie de ringue de boxe, com os quatro ambientes. Uma em cada canto. E as saídas das pessoas se estabelece nesses espaços.

- Trabalhar com o texto da Ceci:

No es lo mismo
No son iguales

No es igual blanco y negro
Nos es lo mismo un hombre y mujer
No es lo mismo un africano y un brasileño
Nos es igual subir y bajar una escalera
No es lo mismo dar a vuelta al mundo y buscar un sítio en el mundo
No es igual mirar o ser observado
No es lo mismo soñar que vivir un sueño
No es igual un pasaporte verde que un pasaporte rojo
No es lo mismo salir que entrar
No es lo mismo estar de un lado y de otro
No es lo mismo levantar la mano para hablar o para golpear
No es lo mismo una línea que un límite
Nunca será lo mismo un espacio que otro
Un cuerpo es un cuerpo imposible de ser otro
Es diferente el precio, el sabor, hasta el olor
Nunca un hemiferio se tocará con otro
Nunca un blanco se convertirá y un negro

- Em duplas, caminhando abraçados. Uma pessoa cria um problema para caminhada. A outra precisa resolver o problema e continuar. Não é fugir, mas enfrentar e criar uma solução. Talvez usar isso, ao final das camisetas, quando eu e Fernando saímos em duplas.

- Ideia de passar a mão no outro, como se estivesse na polícia no aeroporto.
Os três encalacrados em um momento, como se quisessem encontrar espaço. Se realizado rápido, também dá a sensação de fazer muitas coisas ao mesmo tempo.

- Eu com Cecília no gesto dela, de girar e empurrar quadril pra frente e braços pra trás (que passa, tío?).

- Imagem de Madonna, cantando I’m singing in the rain. Com deslocamentos.

- Momento em que tentamos nos adequar ao espaço do outro, começo a coçar o nariz e Ceci começa a impedir até a totalidade.

- Roteiro para amanhã: Camisas, abraço, solo Ceci com duo Fernando e Ana (um que bloqueia caminhada e outro que sustenta), eu caio no chão com a espanhola, peitoral da Ceci e Fernando, termina com palma.

Vigésimo dia

Ceci conduzindo frases de movimento.

Pontos de experimentação

- Improvisação a partir das camisas que tiramos e pomos ininterruptamente


Definimos alguns pontos:

Fernando começa, depois Ceci entra, e depois eu. Fernando começa a fazer perguntas em português para que nós a respondamos em espanhol, enquanto nos movimentamos. Coincidimos alguns momentos de tirar e por a camisa juntos e também pequenos silêncios. Começamos a lançar as roupas no chão e a trocá-las aos poucos, até que experimentamos nos vestir uns com as roupas dos outros. Lançamos tudo ao centro e eu começo a lançar em alguém. Inicio o jogo. Fernando e Ceci continuam jogando entre si, enquanto eu vou pegando as roupas pra mim e me vestindo com elas (queimada). Quando pego todas, Ceci começa a se lançar sobre Fernando até que eu entro na frente e a pego. Dançamos, começo a abraçá-la, empurrá-la e prendê-la, enquanto respondo a perguntas do Fernando. Depois acumulo a função de ir tirando a roupa que pus. Às vezes deixo a Ceci por alguns momentos e retorno. Até que fico só com uma calça e uma blusa e largo a Ceci. Pego as roupas que joguei e as transformo em outras vestimentas. Saio com o Fernando, respondendo duas de suas questões.


- A que horas chegou?
- A que horas dormiu?
- A que horas levantou?
- Você me entende?
- Você sabe o que eu estou pensando?
Como não? Estou pensando em espanhol!
- Você sabe o que estou dizendo?
- Como não! Estou falando em espanhol!


- A que horas você sonhou?
- A que horas olhou o mundo?
- A que horas parou?



- Improvisação a partir da "espanhola", juntando com movimento de peso e fragmentação no chão, e cena de exercício peitoral da Ceci
- Mostrar o corpo pro outro, buscando visibilidade
- Uma pessoa sentada falando (descrevendo o que ocorre ou lançando outras coisas que tenham sentido com o tema geral da imigração, que sejam colocados de modo sutil). Outras pessoas passando por esta, dentro da expectativa de visibilidade também. Quem quiser troca com a pessoa que está sentada a qualquer momento.

Fixamos quatro idéias a partir dos últimos dois itens:

Interceptar (obstáculo)
Invadir o espaço do outro
Seguir o rastro do outro
Tentativa de encaixe (adaptar-se)

Décimo nono dia

Ceci conduzindo:

- manipulação em duplas (em pé, passar a mão pela pele na coluna, omoplatas, pernas, relação ísquios/calcanhares), direção da cabeça para o céu, e para o chão rolando, conexão cócxix / púbis até chegar de cócoras, com uma mão apoiando abaixo do crânio ir deitando.
Deitado: mãos, omoplatas, externo para clavículas, costelas para dentro e para baixo em direção à pélvis, costelas flutuantes para terra, cristas ilíacas na direção inversa (para costelas e terra). Pernas dobradas em direção ao peito e laterais. Perna de “pistoleiro” abertas com joelhos dobrados, deixa cair no chão. Omoplatas e braços. Cabeça. Daí enrola, busca uma perna e outra, agacha, desenrola.


Fizemos as fotos para divulgação e escrevemos o texto para divulgação.

Décimo oitavo dia

Cecília conduzindo frases de movimento.

Jogos:

- Jogos de “change”. Duas pessoas dentro, uma fora, dando o comando “change”. Dentre os comandos poderíamos falar transforma, al revés, rápido, lento, stop, repetir.

Colhemos alguns materiais daí, exploramos em duos, com um diretor. Depois nos pusemos a improvisar os 3 ao mesmo tempo, fazendo cada uma sua própria direção.

- Em duos, abraços com a Cecília de empurrar e puxar. Apoios na Cecília e ela fala cuidado e me solta.

- Caminhada pra frente cada um com um movimento contínuo, mas todos andando ao mesmo tempo na mesma direção (intencionalidade do movimento é a mesma).

Fernando conduzindo:

- manipulação em duplas (pele, ossos, musculatura)
- jogo das bolas
- diagonal de movimento, níveis baixo, médio e alto
- duas pessoas fora e uma dentro: uma com o comando de coisas concretas no espaço e outro com comandos de coisas subjetivas. Quem está dentro vai descartando o comando anterior a medida que chega um novo comando, a menos que a pessoa de fora peça para acumular.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Décimo sétimo dia

Jogo do “eu estou aqui”, trabalhando a idéia de corpo presente na concretude do espaço/tempo. Depois o mesmo trabalho, mas adicionando o referencial externo, como por exemplo: "estou aqui perto daquilo, longe daquilo, etc", nomeando o que vejo. No momento seguinte, fazer o mesmo adicionando o que o outro está fazendo também: uma descrição “real” (exemplo: passo pelo Fernando, que está de blusa roxa, levando o braço direito até a cabeça, etc, etc). Por fim, acumular uma descrição subjetiva (propondo uma imagem, ex.: Fernando está mexendo o pé direito, parece nervoso, está esperando alguém, etc).

Outro jogo: Começar tocando um ponto único no corpo do outro, que ele deve isolar para mover. A partir desse ponto, começamos a dividir o peso entre o solo e este ponto que está propondo o companheiro. A pessoa que propõe o corpo primeiro entra com as mãos. Depois começa a propor o apoio com diferentes partes do corpo. Então, começa a acompanhar até a terra, ao solo. Por fim, a mesma coisa em trios. Quando a pessoa que está recebendo começa a rolar, entra alguém com o oferecimento de outra base. Assim essa pessoa vai rolando de um corpo ao outro até chegar ao chão.

Caminhada no espaço na vertical, os dois corpos se apoiando em 50% de equilíbrio e rolando um no outro, enquanto se deslocam.

Após experimentar esses três jogos, deveríamos realizar uma improvisação.

Materiais que mantivemos dessa improvisação: busca pela visibilidade (um querendo ser mais visível do que o outro); eu marcando palmas e gritos do flamenco, Fernando fazendo perguntas sobre imigração para Cecília, Cecília dançando as respostas.

DEVIR/CAPa


Do dia 27 de julho ao dia 09 de agosto ficamos em residência no Devir / CAPa, em Faro, Portugal, onde levantamos material para outro trabalho artístico, em conjunto com a bailarina Cecília Colacrai. Todos os dias nos organizamos da seguinte maneira:

Manhã: trabalho corpóreo-vocal técnico-criativo

Tarde: trabalho corpóreo-vocal técnico-criativo, com ênfase no levantamento e retomada de materiais e na sua organização.

Noite: Tempo para conversar entre nós, ler, ver vídeos, pesquisar materiais na internet, escrever, tirar fotos, ver os materiais gravados e vídeo para encaminharmos o trabalho do dia seguinte.

Na primeira semana Cecília conduziu os trabalhos técnico-criativos e na segunda semana eu (Ana) conduzi.

(Sevilha)




(Foto Casa do Jorge)




sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Décimo sexto dia - parte II

Após a visita à lindíssima catedral de Sevilha, seguimos rumo a Faro de carro. Não antes de, mais uma vez, sermos surpreendidos por Jorge, com duas sacolas de comida que comprou pra nossa viagem! Chegamos no CAPa muito bem recebidos por Margarida, José, Ana e Paulo. O local é lindo! No primeiro andar temos o teatro de bolso (black box), no segundo o escritório, uma cozinha, um vestiário e uma sala e no terceiro uma sala e os quartos de residência onde ficamos. Hoje foi um dia para conhecermos o espaço e seu entorno. Perto do Porto, no Jardim Manuel Bívar, uma feira com objetos africanos. A cidade é muito agradável e, ao caminhar pelas suas ruas do centro histórico, vamos descobrindo interferências e instalações artísticas promovidas pelas ações das férias de verão da cidade (Dialogue boxes on street windows). Aconchegados e felizes fomos descansar para a empreitada que chega. Amanhã é dia de iniciarmos um novo processo de trabalho... vejamos o que nos espera...

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Décimo sexto dia - parte I




Acordamos em Sevilha e aproveitamos o curto tempo que tínhamos para ir a Catedral. Antes um "desayuno": tostada con mantequilla y batido de chocolate con nata. Entre e perguntei como era o café: é completo ou escolhemos o que queremos? A garçonete respondeu, num tom um pouco ríspido e uma cara fechada: "pra mim tanto faz! Você resolve o que quer." Ok, eu pensei. Vamos reformular a questão: onde posso ver os preços? "Não tem como, não tenho menu." Ok, eu pensei. Vamos reformular a questão: Como você serve o chocolate? É batido frio ou é quente? "Depende, pode ser Cola Cao, posso bater ou pode ser quente. Ok, eu pensei. (E agora você deve estar pensando porque eu não fui embora... bem... fome e pressa). Vamos pedir... Ok, pedimos. Enquanto não vinha o farto café, fui tirar foto do cardápio num quadro de giz, que tinha uma bailarina flamenca desenhada. A garçonete falou: "Você tem que pagar os direitos autorais da artista." Daí claro, perguntei: "Você que desenhou?" E ela confirmou. Mostrei a foto pra ela. Falei: "Você tem que assinar a obra." Ela disse: "Mas eu assinei, só que os clientes apagaram os sapatos e a minha assinatura". Pois ela pegou um giz, foi até o quadro e voltou a desenhar os sapatos e a assinar o desenho. E ainda disse: "Tenho que colocar os cabelos debaixo do suvaco! Tiraram! Apagaram muito da minha boneca!" E os desenhou... Eu registrei o momento e mostrei pra ela. Pois veio o café: ufa! Finalmente... (pensei...) e junto veio um desenho de um bailarino flamenco, com o seguinte recado: Para que você se lembre de Sevilha. Tomamos o café, que estava delicioso. E seguimos caminho para a Catedral, não antes de receber um sorriso e uma indicação: leve o cartão do nosso bar, com o e-mail (para onde as fotos dela seguirão em breve...!).


Décimo quinto dia




O encerramento do curso foi maravilhoso. Ao final das atividades, mostramos o Butterfly para os participantes. Ficou um gostinho de quero mais, de ambas as partes, sabor que me agrada bastante. Saindo daí, correria total. Apenas uma hora para acabar de fazer as malas, fazer almoço, comer, descer com o lixo pra rua, fechar a casa e ir até a estação de trem. Os horários para Girona não são tão frequentes e não podíamos perder o horário. Chegando à Girona, poucas informações de horários de ônibus até o aeroporto, até que conseguimos encontrá-lo. No aeroporto... Ryanair, 15 quilos despachados por pessoa, 10 quilos na bolsa de mão e nada mais. Nós, com bagagem de 1 mês que ficaríamos fora, mais os livros e dvds que fomos acumulando no caminho... Resultado: ficamos uma hora pesando bagagens e trocando roupas e objetos de lugar até equilibrar os pesos... Ceci chegou e... mais troca, troca... até que conseguimos a façanha de adequar às bagagens. Eis que vamos rumo à Sevilla... lugares não marcados, ficamos longe uns dos outros (eu, Fernando, Ceci e Mo) e eu, claro, sentada do lado de um casal maluco que se estapeava e beijava ao mesmo tempo... nas horas vagas, me davam cotoveladas... hehehehe claro... toda novela mexicana (ou espanhol, seria, neste caso?) tem um terceiro elemento para testemunhar... E começam as vendas em inglês, espanhol e catalão. Desde (acreditem!) cigarros, até comida, cosméticos, bebidas... os comissários (ou seriam vendedores? ou garçons e garçonetes?) vendiam tudo... na verdade me parece que o comandante estava à venda em um pacote que incluía o co-piloto e algum (a) comissário (a) de bordo, mas perdi esse momento porque comprei um lexotan para me ausentar da feira livre onde tinha me metido, sem direito a dar uma saidinha para passear... quase nem mesmo posso ir ao banheiro, já que a Ryanair tem um projeto de cobrança de uso de toaletes... (quanto mais alto estiver o avião, mais caro é o uso - rsrsrsrsrsrs - Ai, ai, ai... o que fazer com minha incontinência urinária?) Pois bem... quando já estava quase comprando um balão de oxigênio que me introjetasse um pouco de paciência para que eu não destruisse a tripulação em poucos segundos, recebemos a notícia de que estávamos aterrisando em Sevilha, com exatos 34 graus celsius, às 22h... O Jorge e a Judith, amigos da Ceci, estavam nos esperando no aeroporto. As duas figuras raríssimas, simplesmente foram dormir em outro lugar e nos deixaram a casa deles para ficarmos à vontade. Inacreditável... a casa, mais parecia de bonecas. Ficava num conjunto meio comunitário, com arquitetura influenciada pela cultura árabe, bem no centro de Sevilha, pertinho da Catedral. Dentro da casa, um parque de diversões: fotos, objetos, desenhos, livros, tudo misturado e colorido... em cada lugar uma surpresa... Saímos para jantar num lugar delicioso... Jorge e Judith, um caso raro... pode ser que ainda seja efeito do lexotan...

Décimo quarto dia











Início do curso na Escola de Dança Municipal de Celrá. E lá vamos nós hablando español! Apesar da forte imigração que encontramos por aqui, com exceção da Ceci, que é argentina, as outras pessoas que fizeram o curso eram todas catalãs, o que tornou a atividade uma ótima oportunidade para compreendermos melhor como estão pensando e fazendo arte na Catalunya. O curso também foi muito rico pois reuniu pessoas de profissões distintas (bailarinos profissionais, professores da rede pública de ensino, psicólogos, etc). Foi ótimo verificar, uma vez mais, como o trabalho reverbera em todos, pela autonomia que propõe e pelo respeito às individualidades. O grupo, além de muito amável, estava completamente disponível e aberto ao que propusemos. Como seria um curso de apenas dez horas, decidimos compartilhar ferramentas e princípios de trabalho, para que eles pudessem, a posteriori, explorar esses recursos do modo como melhor se aplicasse às realidades de cada um.

sábado, 25 de julho de 2009

Uma tarde inesquecível ou Julyen Hamilton ou décimo terceiro dia


Há alguns momentos que confundem um pouco o sonho com a realidade. Pois foi assim... fomos buscar a Ceci na estação de trem e quando chegamos ouvimos um som de música na sala. Pensamos... será que Julyen já chegou? E lá estava... aquele senhor de um sorriso que não cabe no rosto, nos esperando com inestimáveis generosidade, vitalidade, beleza e sutileza. Cada palavra, cada gesto, cada olhar e um modo muito sensível de ver o mundo e as pessoas. Julyen nos fala sobre o ser humano, sobretudo sendo humano. Isso faz a diferença.
(Ao ganhar um presente dele, eu lhe disse gesticulando: estou envergonhada... /Ana... entendo sua vergonha, mas não me venha com estes dedos latino-americanos!!!! rsrsrsrsrs)
Foi assim... Dizia Julyen.... coragem vem de coração. Há de se ter coragem!
As quatro horas se estenderam a seis, sem que ninguém se desse conta de que o tempo passara.
Pôs seu chapéu, pegou sua bolsa, roupa clara e cinto e se foi...
Foi assim... passou, como um pestanejar, e nos deixou a coragem.
Foi assim... uma troca profissional e afetiva... intensa e profunda.

A construção deste novo espetáculo vai se fazendo de fragmentos tão únicos que se formam em um todo.

À noite, show de flamenco na Fábrica e um bom momento pra se divertir...

Décimo segundo dia ou Ventanas


Por las ventanas miro el mundo.
Por allí todo se mueve y está parado. Al mismo tiempo.
De donde ves ya no lo sabes sí es la realidad concreta o reflejada.
Los cuerpos dañados por el tiempo se hacen figuras de un álbum abandonado.
De la silla dibujada por el sol se crean espacios para el pensamiento.
Muñecas heridas o fragmentadas, mujeres arregladas o encantadas.
Miro las ventanas, capaces de ofrecerme, en vuelos, otras paisajes.
Por el mundo miro las ventanas.

(Ana Mundim)

Décimo primeiro dia ou Do lado de cá...


Aqui o sol dói na carne e atravessa-me a pele derretendo ao solo.

Me ponho desnuda em terra seca, envolta em cordas brancas que protegem-me dos espinhos.

Ali tenho a sensação de um tempo silenciado.

Observo os pássaros, sinto o vento quente que me preenche os poros, percebo a aspereza em mim e nada mais.

Ali, me parei e senti.

Tudo fazia tanto desconexo nexo em sua perfeição imperfeita que não me cabia mover ou falar.

Era pra ser a cena de um vídeo, mas foi uma experiência de vida.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

E na casa de três andares (só pra gente e o Toni), escolhemos a caminha do sótão (quase um quarto andar)


Ana, Fernando, Cecília - laboratórios
















"Ceruelas" deliciosas e docinhas para as raras horas vagas


Bruna e Nano - nossos amigos inseparáveis e companheiros de ensaios




L'Animal a l'esquena









O por do sol, a cada dia, um presente diferente...

Décimo dia

Voltamos para Celrá, demos uma entrevista para o L'Animal sobre o nosso trabalho e a residência que estamos fazendo aqui. Logo em seguida, eles filmaram o roteiro cênico que organizamos, enquanto o mostrávamos para o Toni Cots e para Maria Claudia Mejia (colombiana, aluna do Mestrado do L'Animal). Conversamos um pouco sobre o que eles haviam visto, sobre possíveis encaminhamentos a partir da perspectiva que eles trazem, e falamos sobre como procedemos com o levantamento de materiais e quais as perspectivas para nossa próxima residência em Faro e a construção de um novo espetáculo. Decidimos que, do material levantado, continuaremos desenvolvendo as cenas para uma nova criação do República. E, algo destes elementos, será pinçado para elaborarmos um outro espetáculo na residência com a Cecília Colacrai.
À noite fizemos imagens para o nosso novo videodança na fazenda e na rua.

Nono dia

Dia de repensar, refazer, recriar. Experenciamos questões pontuais levantadas pela Cecília. Trabalhamos um pouco a primeira cena do roteiro que fizemos, que está vinculada à questão do corpo em trânsito e dos idiomas que o compõem. Logo em seguida, revimos meu solo do banco, trabalhando diferentes dinâmicas.
A tarde seguimos para Barcelona. Novo encontro com Cecília para conversarmos sobre o trabalho e coleta de imagens nas ruas.

Oitavo dia

Hoje pela manhã retomamos o roteiro que temos dos materiais levantados na primeira semana. Logo pela tarde, recebemos a Ceci Colacrai para propor um trabalho técnico-criativo e assistir ao nosso roteiro. Logo brincou que já tínhamos um espetáculo pronto! Hehehehe um pouco de exagero, mas estamos animados com as cenas que estão surgindo... Ceci nos apontou vários elementos para trabalharmos e voltará no fim de semana para ver o que fizemos e contribuir com novas indicações.

Tempos que cruzam, corpos alertas, criação em tempo real, entendimento de outros caminhos para os mesmos conceitos, novos modos de organização, vivência encarnada, disponibilidade para doar e receber. E vamos ver o que mais vem por aí...

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Entre uma coisa e outra...

Conseguimos um tempo de respiro para encontrar Mercé Saumell, minha ex-orientadora, em Girona, cidade muito simpática a dez minutos daqui. Mercé é uma pessoa muito especial, a quem devo muitos dos bons momentos profissionais e pessoais que vivi e estou vivendo aqui. Ela é professora do Institut del Teatre e atual coordenadora das atividades culturais da mesma instituição. Foi um fim de tarde extremamente agradável, com muita conversa sobre teatro, dança e sobre a cultura catalã.

domingo, 19 de julho de 2009

Sétimo Dia

Dia de estudos teóricos

Leituras e releituras: Taz, Post-it city: ciudades ocasionales
Vídeos: Les deux voyages de Jacques Lecoq, Azul como uma laranja

Sexto dia


Trabalhamos pela manhã, retomando todos os materiais levantados durante a semana e tentando organizá-los dentro de um roteiro flexível, para que esta semana possamos fazer uma apresentação pública do trabalho.
A tarde fomos a Barcelona colher imagens em vídeo, buscar materiais bibliográficos na La Central na Laie e na FNAC e assistir ao STOMP. A cidade está fervendo (de calor e de gente). Muita informação, uma miscelânia de idiomas, sentidos, sabores, estéticas, atitudes... Almodóvar seriam pouco para o que vemos aqui. É um filme pronto sobre a diversidade e a pluralidade da vida. Inspirador. O espetáculo do STOMP é de tirar o fôlego. Entretenimento de alta qualidade, primor técnico e uma competência inigualável. Vale a pena assistir!

Quinto dia

Fizemos imagens em vídeo na área externa do L’Animal a l’esquena, que tinham como mote o diálogo do nosso corpo com os diferentes espaços que o lugar nos propõe. Nos pusemos a perceber o silêncio e os modos como o movimento interfere nele. Temos entendido que o silêncio não significa a falta de som, mas o momento de experiência, percepção, vivência, estado de atenção, concentração, permissão.

Quarto dia

Regra 3: saber realizar um trabalho de estátua viva

Terceiro dia

Regra 2: saber falar vários idiomas

Segundo dia

Após inúmeras improvisações, utilizando diferentes espaços do L’Animal a l’esquena, decidi propor um percurso de movimento em espaço restrito (quadrado de luz) com a música Bandolins, de Osvaldo Montenegro.
Conversamos muito sobre a condição dos imigrantes por aqui, em trabalhos de baixa remuneração, dividindo casas com inúmeras pessoas e, muitas vezes, sem tempo e dinheiro para usufruir dos benefícios que as cidades oferecem (questões culturais). Eles vêm em busca de um sonho, na perspectiva de levantar grana e voltar ao Brasil em uma situação melhor do que a que viviam lá anteriormente. Para mim, há uma rede de conflitos que se entrelaçam formando nós que parecem não serem capazes de se desatar mais. Conversei com imigrantes legais e ilegais em Lisboa e Barcelona. A maioria tem o desejo de retornar à terra natal, mas está imbricado nessa bola de neve sem prazo para sair, pois enviam dinheiro para as famílias no Brasil, e têm medo de voltar à vida em seu país e não conseguir mais se realocar aos hábitos, costumes, trabalhos e modo de vida. Aqui trabalham, muitas vezes, o dia todo, de domingo a domingo, com um dia de folga por semana. Não há perspectiva de vida. Às vezes vendem suas férias para não ficarem sem receber, pois dependendo da situação em que se encontram de regularização, não têm direito à remuneração se não trabalham (quase um sistema de autônomo) e, especialmente em Barcelona, o custo de vida é altíssimo.
Toda essa situação veio à tona no momento de experimentação de movimentos nesse espaço reduzido. A idéia de que ali há um mundo particular e infinito, mas que ao mesmo tempo se reduz e finaliza pela própria infinitude. O movimento corporal é crescente, marcado pela cabeça que se apresenta, quase que involuntariamente, em constante mover-se da direita para a esquerda. Há toda liberdade de movimento, com a restrição do espaço e do movimento da cabeça.
Com Fernando, trabalhamos a relação da coisificação do corpo. Começamos a brincar com algumas “regras para ser imigrante brasileiro”. Regra 1: saber sambar. A partir disso, realizamos improvisações.

Dia a dia

Temos organizado o dia a dia da seguinte maneira:

Manhã: trabalho corpóreo-vocal técnico-criativo
Tarde: trabalho corpóreo-vocal técnico-criativo, com ênfase no levantamento e retomada de materiais e na sua organização
Noite: Tempo para conversar entre nós e com o Toni Cots, ler, ver vídeos, pesquisar materiais na internet, escrever, tirar fotos, ver os materiais gravados e vídeo para encaminharmos o trabalho do dia seguinte.

Para quem quiser ler...

Encontramos um texto informativo sobre que nos trouxe algumas imagens para seguir a prática:
NOVAS TERRITORIALIDADES OU MULTIPLAS TERRITORIALIDADES? TRABALHADOR MIGRANTE BRASILEIRO EM BARCELONA
http://www.ub.es/geocrit/sn/sn-270/sn-270-131.htm

Avalanche

Por aqui, avalanche de idéias, vontades, desejos. Caminhamos com o tempo, contra o tempo, em tempo. Decidimos realizar um recorte sobre a imigração dos brasileiros em Barcelona, fato que me chama atenção desde que morei seis meses por aqui.

Nosso cotidiano aqui é árduo, mas saboroso. Começamos a trabalhar às 9h30 e seguimos até 24h todos os dias. Na maioria das vezes, comemos por aqui mesmo. Há uma pequena cozinha dentro da própria sala, onde beliscamos frutas e outras coisinhas. Há uma árvore em frente do espaço de trabalho com ameixas deliciosas e Nano e Bruna, os dois cachorros da fazenda, nos acompanham com suas visitas. É um momento de descobertas, intensidade, reconhecimentos, crises, soluções, movimento, paralisia... tudo ao mesmo tempo, misturado, confundido, despejado.

Imersão

Estamos agora em plena atividade de imersão. Nestes dois dias de
Residência Artística já elaboramos um planejamento de trabalho e
iniciamos as atividades de pesquisas corporais. Optamos - pelo
incômodo e interesse - por trabalhar um recorte da temática da
imigração: a relação do corpo em trânsito cultural; o corpo sem lugar,
a afirmação proposital da diferença, não pelo respeito à diversidade,
mas pela distinção hierárquica.
Os primeiros estudos levantaram materiais corpóreos que resultaram
conflitos, tensões, fuga, fragmentação e interterritorialidades. E,
neste cenário de busca e poesia, seguimos em nosso processo de pesquisa e criação.

(Contribuição de Fernando)

Chegada a Celrá

E de trem, lá fomos de Barcelona a Celrá! O “pueblo” de 4.000 habitantes é, como diriam aqui, “ um sítio muy raro”. Em alguns momentos pensamos mesmo estar em uma cidade cenográfica (ou será fantasmagórica?). Aqui reina o catalão. Não se ouve quase ninguém falando espanhol. Há, sim, muita imigração, especialmente africana, mas mesmo os “niños” falam catalão, pois aprendem na escola. As ruas costumam estar bem desertas quase todo o dia e as casas mantêm suas janelas fechadas para evitar o calor de quase 30 graus. À noite, quando refresca, encontramos algumas pessoas caminhando pelas ruas ou conversando pelas praças.

O L’Animal fica numa área verde, próxima ao pueblo. Temos um carro disponível para fazer essa travessia. O espaço é uma “nave”, como eles chamam por aqui, alocada no meio de uma fazenda. Aqui só se ouvem os sons dos cachorros, dos pássaros e, eventualmente, recebemos a visita do Tobias (um ratinho de mato que, para meu desespero, insiste em ser bailarino). A sala tem equipamento de luz e som, objetos, enfim... absolutamente tudo que pensamos em precisar, está aqui. Tudo a tempo e a hora.

O primeiro dia foi para definirmos com mais clareza o tema sobre o qual trabalharíamos, reconhecer o espaço e a cidade.

Entre Barcelona e Celrá, um tempo para pensar

Penso.

Enquanto badalam os sinos da igreja, penso e páro.

Penso...

E me isento do mundo. Guardo-me em mim, dobrada ao revés.

Penso que às vezes penso.

Penso muito.

Penso do avesso.

Quase digo.

Penso o contrário.

Quase falo.

Mas logo penso.

Até que tento. Mas...

Interrompida...

Penso.

Em ré menor.

Penso.

E só.

Ana Mundim

Fernando, Ana, Marcos, Felipe e Salena


Fernando, Ana, Marcos, Teresa, Salena


Em Barcelona, os brasileiríssimos Fernando Prado, Vanilton Lakka, Fernando Aleixo e Ana Mundim


Em Barcelona, Andrea, Ceci Colacrai, Mo e Fernando


Barcelona

Dia 12 nos dirigimos a Barcelona, via TAP. Chegamos no novo terminal do aeroporto de Réus, que está belíssimo. Ao sair encontramos entusiasmada a Cecília Colacrai, argentina residente em Barcelona há sete anos, com quem vamos trabalhar em Faro, Portugal. Já começamos a conversar sobre as possibilidades criativas de nosso trabalho conjunto. Barcelona é sempre uma loucura, mas no verão é incrível. A quantidade de pessoas na cidade e a falta de estrutura para recebê-las era tão grande, que ficamos duas horas para sair do aeroporto e chegar no bairro de Grácia, via trem e metrô. Após uma primeira reunião para decidirmos questões administrativas da residência que faremos agora e da ida de Cecília ao Brasil, fomos jantar em um restaurante onde encontramos Mo, marido de Cecília.

De lá seguimos para o CCCB para acompanhar a programação do evento Dias de Danza e para reencontrar os amigos Marcos (videomaker) e Teresa (produtora cultural), e Salena e Felipe (instrutores de Breema). Impressionante ver a grande quantidade de pessoas assistindo dança contemporânea! Pra terem uma idéia, nós só conseguimos assistir os espetáculos por telão. O sucesso do evento é resultado de uma luta de anos, construção lenta, continuada e efetiva, que merece ser admirada e pensada como exemplo. No Brasil há alguns eventos vinculados a este, nas cidades de Belo Horizonte, São Paulo, Brasília, entre outras, caminhando de modo interessante. É claro que devemos respeitar os diferentes contextos e entender a educação espanhola se faz na e com a cultura das artes inseridas no cotidiano da população, o que é determinante no modo como se instituem o pensamento e os interesses deste povo. Além disso, é importante saber que propostas como estas não são parte de um intensivo isolado de atividades, mas, do contrário, se fazem eficazes porque complementa um todo maior, que promove, como obrigação do estado, o contato freqüente com os bens simbólicos.

Ao terminar o evento, encontramos os colegas Vanilton Lakka e Fernando Prado, de Uberlândia, que tinham ido participar do evento. Uma pequena saída para confraternização e um brinde ao reencontro! E vamos nós, que no outro dia, começaria um trabalho intenso.

Nazaré


Alcobaça


Óbidos
















Tramossos e ginja em Óbidos




Óbidos – Alcobaça – Nazaré – Mafra


Hoje alugamos um carro. Começamos nosso dia passeando em Óbidos. A cidade, cercada por muralhas, apresenta beleza peculiar entranhada por uma grande influência dos históricos reinados portugueses (para quem quiser saber um pouco mais da história da cidade: http://www.obidos.pt).


Ali conhecemos o tramosso e a ginja. Mas vejam... segundo a senhora da feira, já que é pra aprender, aprenda a falar certo (leia-se: fale português, não brasileiro! Hehehehe): trrrrrrãmosso. É uma semente bem salgada, também de acordo com ela, pra tomar com cerveja. A ginja lembra o sabor de licor. Muito doce, mas deliciosa. A senhora que nos deu ginja para provar é dona de uma loja na cidade. Seu pai houvera aberto a loja como tecelão há anos, onde trabalhava com sua esposa e a outra filha, mas perdeu a vista e parou de trabalhar. As máquinas que tinham ali foram doadas para o município, visando abrir uma escola de artesãos e dar continuidade à cultura local. Esta senhora, natural de Óbidos, nos disse que já havia morado em Lisboa e em Luanda. E que não se acostumava com o retorno a Óbidos. Considera a cidade linda, mas diz viver de casa para o trabalho e vice-versa, sem perspectiva de mudança (ela mora em cima da loja). Nos disse que Luanda, embora paupérrima, tem uma vivacidade incrível e que na Europa é tudo muito certinho, no lugar, sem movimento. Disse ter trocado a vida colorida pela vida preto e branco e nos mostrou que sua fuga era a coleção de CDs com músicas latinas e africanas. Falou que quando não há clientes na loja ela e seus dois funcionários ficam dançando para animarem suas vidas. Na mesma loja, vi uma caixa de música do balé Quebra-Nozes. Ano passado, no Natal, Óbidos utilizou o Quebra-Nozes como mote para suas festividades e essa senhora comprou a caixinha de música, que troca de cenários e músicas três vezes, para enfeitar sua loja. Fez questão de colocar para que eu visse. Um bom tempo investido em uma conversa muito agradável.
Saindo de lá fomos a Nazaré, com uma parada em Alcobaça para uma caminhada na cidade e um bacalhauzinho no almoço.

Em Nazaré, cidade litorânea, encontramos um fim de tarde incrível, acompanhado por um belo por do sol brindado com o vôo de algumas gaivotas. A praia é muito bonita, com água gélida, porém transparente. Há um elevador que nos leva até o alto da cidade, onde é possível ter uma visão ampla da praia e dos prédios que compõem a arquitetura do local. Experiência sempre inigualável é ficar a beira mar à noite, ouvindo o som do mar e silenciando o pensamento. Sentir o cheiro de maresia e o vento no rosto são poesia para a vida.

Para o trabalho, fizemos algumas imagens em vídeo nas muralhas de Óbidos e na praia em Nazaré. Esperamos utilizá-las em breve para um novo videodança.

Para fechar o dia, (nessas alturas, já de madrugada), uma breve passada em Mafra para uma caminhada no centro. E, na volta a Lisboa, uma voltinha em Belém. No percurso, passando pelo Chiado, encontramos a população jovem toda na rua, indo e voltando dos bares e baladas e também sentados na grama das praças, simplesmente para conversar. Os portugueses são impressionantemente bonitos e simpáticos. Passeando por aqui, quase esquecemos nossa condição de colonizados, até olharmos a volta e percebermos que a maioria dos trabalhos mal remunerados por aqui é realizado por brasileiros. De todo modo, para quem não conhece, vale a pena por na lista de viagens.

Ericeira




Ericeira

Nosso segundo dia de viagem começou com uma viagem a Ericeira. Esta pequena vila é curiosa por sua arquitetura e suas minúsculas praias. O interessante é que cada prainha tem um público diferente. Uma é freqüentada por famílias. Outra por senhores. Outra por jovens. E entre elas, há um local de pescadores. Ali é tudo tão limpo e claro que parece mesmo que estamos em uma cidade encantada. Apelidamos a cidade de legolândia incolor. Mas, apesar da monotonia das cores, o lugar é muito gostoso. Vale a pena conferir.

Lisboa